TEMAS
São Paulo
12-Out-2025
By: Toni Campos
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A Cidade Cinza e os Visitantes do Céu
Prefácio
São Paulo, metrópole de concreto, fumaça e pressa. A cidade que nunca dorme, mas raramente sonha.
Seus arranha-céus tocam o céu, mas não o divino. Seus habitantes correm, mas não sabem para onde.
Neste cenário, algo extraordinário acontece: figuras bíblicas, esquecidas por muitos, descem sobre a cidade para confrontá-la, não com espada ou fogo, mas com verdades que incomodam.
Este conto é uma parábola moderna. Uma provocação.
Uma tentativa de imaginar o que aconteceria se o sagrado invadisse o secular, se o eterno visitasse o efêmero.
O Despertar de Elias
Eram 5h da manhã na Avenida Paulista. O céu ainda escuro, o metrô já pulsando.
Um homem de túnica, barba espessa e olhos como brasas caminhava entre os carros. Elias, o profeta do fogo, havia retornado.
Ele parou diante de um outdoor que anunciava um novo condomínio de luxo: “Vista para o céu, longe do caos.”
Elias sorriu com ironia. “O céu não se compra”, murmurou.
No Largo da Batata, ele começou a pregar. Não sobre religião, mas sobre silêncio. “Vocês perderam o silêncio. E com ele, perderam Deus.”
Alguns o filmaram. Outros o ignoraram. Mas uma mulher chamada Júlia, viciada em trabalho e remédios, chorou.
Elias não a consolou. Apenas disse: “Você ainda pode ouvir.”
Maria nas Marginais
Maria apareceu na Marginal Tietê, vestida de azul, com um manto que parecia absorver a poluição.
Ela caminhava entre barracos e viadutos, tocando os ombros dos esquecidos.
Ela não falava. Apenas olhava. E onde olhava, brotava esperança.
Um menino que vendia balas largou a caixa e começou a desenhar. Um homem que dormia sob papelão acordou e começou a cantar.
Na Cracolândia, ela foi cercada por policiais.
Um deles, chamado Rafael, hesitou. “Você não pode ficar aqui.”
Ela olhou para ele. E ele, sem saber por quê, deixou cair o cassetete.
João Batista no Centro
João Batista surgiu no Vale do Anhangabaú, comendo pão seco e bebendo água da chuva. Gritava: “Arrependam-se! Não por Deus, mas por vocês mesmos!”
Ele denunciava os bancos, os políticos, os influencers. “Vocês vendem promessas como se fossem milagres. Mas não há milagre sem verdade.”
Foi preso em menos de uma hora. Mas antes de ser levado, olhou para uma câmera de TV e disse:
“O deserto está aqui. E vocês o chamam de progresso.”
O Cristo na Estação da Luz
Jesus apareceu na Estação da Luz, vestido como um homem comum.
Sentou-se ao lado de uma mulher trans, ouviu um jovem que havia perdido o pai, abraçou um entregador que chorava de cansaço.
Ele não fez milagres. Fez perguntas.
“Por que vocês correm tanto?” “Por que vocês se odeiam?” “Por que vocês chamam de sucesso aquilo que os destrói?”
Alguns o reconheceram. Outros o chamaram de louco. Mas uma criança disse:
“Você parece com o que minha avó descrevia.”
Ele sorriu. “Ela lembra bem.”
Pósfácio — A Cidade que Foi Confrontada
São Paulo não mudou de um dia para o outro. Continuou cinza, barulhenta, desigual.
Mas algo havia sido plantado. Um desconforto. Uma lembrança. Um chamado.
Os personagens bíblicos não ficaram. Não precisavam. Eles vieram não para salvar, mas para lembrar.
Que mesmo na cidade cinza, há cor. Que mesmo no concreto, há alma. Que mesmo na pressa, há tempo.
Mas o céu não fecha suas portas. Há rumores de que outros virão.
Talvez um Moisés surja no meio de um congestionamento, tentando abrir caminho entre carros como quem divide o mar.
Talvez um Davi apareça em uma comunidade, enfrentando gigantes que vestem terno e têm escritórios em prédios espelhados.
Talvez uma Rute caminhe entre migrantes e refugiados, ensinando que lealdade é mais forte que fronteiras.
A cidade foi confrontada. Mas não foi condenada. Ela foi lembrada de que ainda pode ser redimida.
E enquanto houver concreto, haverá rachaduras por onde a luz pode entrar.
Fonte: (Bíblia; IA Copilot)
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Toni Campos
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