TEMAS
Mateus
07-Nov-2025
By: Toni Campos
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O Chamado no Século XXI
Prefácio
Vivemos tempos em que a verdade se esconde atrás de telas, e a fé é muitas vezes confundida com performance.
Mas e se um dos apóstolos caminhasse entre nós hoje? E se Mateus, o cobrador de impostos transformado em evangelista, surgisse em meio ao caos urbano, à cultura do cancelamento e à busca incessante por validação digital?
Este conto é uma tentativa de imaginar esse encontro entre o sagrado e o contemporâneo — não como uma alegoria, mas como um espelho.
O Analista de Dados
Mateus se chamava Matheus agora, com "h", como constava em seu crachá da Receita Federal.
Trabalhava no 18º andar de um prédio envidraçado na Avenida Paulista, onde os números dançavam em planilhas e algoritmos previam o comportamento fiscal dos cidadãos.
Era um homem metódico, de fala contida e olhar sempre voltado para a tela. Seus colegas o chamavam de “o monge do Excel”.
Poucos sabiam que, à noite, ele escrevia. Não posts, não tweets — mas páginas inteiras de reflexões sobre o que via: a desigualdade, a pressa, a solidão dos que se dizem conectados.
Naquela terça-feira, enquanto analisava uma movimentação suspeita de criptomoedas, recebeu uma mensagem enigmática no e-mail pessoal: “Segue-me.” Sem remetente. Sem assunto. Apenas isso.
O Encontro
Naquela noite, Matheus não foi direto para casa. Pegou o metrô até o centro velho da cidade, onde os prédios têm mais história do que manutenção.
Sentou-se num banco da Praça da Sé, observando os pombos e os pregadores de esquina.
Foi ali que o viu. Um homem de barba cerrada, olhos que pareciam conter séculos, e um sorriso que não julgava. Ele se aproximou e disse:
— Você sabe quem eu sou.
Matheus não respondeu. Mas soube. Não com a razão, mas com algo mais profundo, como se uma memória esquecida tivesse sido despertada.
— Você me chamou? — perguntou, hesitante.
— Não. Você apenas ouviu.
O Despertar
Nos dias seguintes, Matheus começou a mudar. Pediu demissão.
Vendeu o carro. Passou a andar com um grupo de jovens que distribuíam comida para moradores de rua. Mas não era caridade — era convivência.
Sentava-se com eles, ouvia suas histórias, anotava tudo em um caderno de capa preta. As pessoas começaram a segui-lo. Primeiro, por curiosidade. Depois, por necessidade.
Ele não oferecia milagres, mas escuta. Não prometia salvação, mas presença. E isso, naquele mundo de vozes altas e ouvidos surdos, era revolucionário.
O Evangelho Segundo Matheus
Um dia, alguém perguntou se ele era religioso. Ele sorriu.
— Não mais do que um faminto é religioso ao receber pão.
Começou a publicar seus textos em um blog chamado “O Olhar do Coletor”. Falava sobre empatia, sobre o valor de cada vida, sobre o silêncio como forma de oração.
Seus textos viralizaram. Mas ele não monetizou. Não deu entrevistas. Continuou andando pelas ruas, ouvindo, escrevendo.
Posfácio
Dizem que Matheus foi visto pela última vez na Cracolândia, sentado ao lado de um homem em surto, segurando sua mão. Outros juram que o viram em Brasília, falando com políticos.
Há quem diga que ele nunca existiu — que era apenas um personagem criado por um escritor anônimo.
Mas os textos continuam aparecendo. Em muros, em bilhetes deixados em bancos de praça, em mensagens anônimas enviadas por e-mail. Sempre assinados: “Mateus, o que ouve.”
Talvez ele nunca tenha ido embora. Talvez ele esteja em cada um que decide escutar antes de julgar.
Talvez o chamado ainda ecoe: “Segue-me.”
Fonte: (Bíblia; IA Copilot)
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Toni Campos
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