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A Pré-Existência

19-Fev-2026

By: Toni Campos

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O pátio do comércio fervilhava de vozes.

Mercadores gritavam preços, crianças corriam entre bancas de frutas e tecidos, e viajantes descansavam sob a sombra das colunas.

O sol poente tingia o céu de vermelho e dourado, lançando sombras longas sobre o chão de pedra.

No centro, um ancião de barba branca e túnica simples ergueu-se sobre uma pequena elevação, como quem se prepara para anunciar algo maior que o próprio mundo.

A multidão, curiosa, começou a se reunir. Alguns vinham por devoção, outros por curiosidade, e muitos apenas para ver o velho que falava como profeta.

Entre eles estavam um jovem discípulo inquieto, um rabino tradicional, uma mulher peregrina e um homem cético.

Cada um trazia no coração perguntas e dúvidas que queimavam como brasas.

O ancião levantou a voz, clara e firme, citando efésios 1:18:

— “Iluminados os olhos do vosso coração, para saberdes qual é a esperança do seu chamamento, qual a riqueza da glória da sua herança nos santos.”

O discípulo inquieto, com olhos arregalados, perguntou:

— Mestre, como podemos ter existido antes, se só agora respiramos o pó da terra?

O rabino franziu o cenho, murmurando o Shemá:

— O Senhor nosso Deus é um só. Não há espaço para mistérios além da Lei.

O homem cético riu, cruzando os braços:

— Pré-existência? Se já vivíamos antes, por que não lembramos?

A mulher peregrina, com voz suave, acrescentou:

— Talvez a memória esteja no espírito, não na carne.

O ancião respondeu com firmeza:

— Jó, o mais antigo dos livros, nos revela:

“Quando as estrelas da alva juntas alegremente cantavam, e rejubilavam todos os filhos de Deus.”

Eles já existiam! O rabino rebateu:

— Isso é poesia, não doutrina. Israel nunca conheceu tal ensino.

O discípulo, hesitante, perguntou:

— Então, mestre, somos mais que pó? Somos espíritos que retornaram?

O cético zombou:

— Espíritos? Então por que sofremos, sangramos e morremos como qualquer homem?

A peregrina, com olhos brilhantes, disse:

— Porque o corpo é abrigo, mas o espírito é eterno.

O ancião ergueu a mão, como quem corta o ar:

— Os nomes dos eleitos estão escritos no Livro da Vida desde antes da fundação do mundo. Não podem ser apagados!

O discípulo, quase em lágrimas, clamou:

— E os que não estão? Estão condenados desde o princípio?

Silêncio caiu sobre o pátio. O rabino olhou para o cético, e ambos se entreolharam com inquietação.

A peregrina murmurou:

— Mas Deus é amor... pode o amor condenar sem chance de redenção?

O ancião respondeu com voz grave:

— Deus não se arrepende de sua obra, mas por amor volta atrás em decisões. Ele é justiça e misericórdia.

O ancião ergueu os olhos ao céu e concluiu:

— A criação aguarda a revelação dos filhos de Deus. Não é lembrança que nos salvará, mas fé. Pois o espírito volta a Deus, que o deu.

Alguns na multidão se levantaram em fé, outros se afastaram em dúvida.

O cético saiu rindo, mas com olhar perturbado. O rabino caminhou lentamente, pensativo. A peregrina permaneceu de joelhos, em oração silenciosa.

O discípulo inquieto ficou diante do ancião, como quem finalmente encontrou uma fonte no deserto.

Nota do Autor

A doutrina da pré-existência, à luz das Escrituras, revela que os filhos de Deus já existiam em espírito antes da fundação do mundo.

O livro de Jó, considerado o mais antigo da Bíblia, afirma que os filhos de Deus rejubilavam na criação (Jó 38:7), indicando que sua existência antecede a formação física.

Gênesis reforça essa ideia ao mostrar que Deus criou o espírito à Sua imagem e semelhança (Gn 1:26), antes de formar o corpo do homem (Gn 2:7). Efésios 1:4–5 e 1 Pedro 1:2 revelam que os eleitos foram escolhidos segundo a presciência divina, e seus nomes estão escritos no Livro da Vida desde o princípio (Ap 17:8).

A distinção entre vasos de ira e vasos de misericórdia (Rm 9:22–23) mostra que Deus manifesta Sua glória e justiça por meio de propósitos eternos.

A queda de Eva e a descendência de Caim romperam a ligação direta com Deus, mas os filhos de Deus permanecem como extensões d’Ele na Terra, criados perfeitos em espírito.

A criação aguarda a revelação desses filhos (Rm 8:19), que devem manifestar a glória divina pela fé em Cristo (Rm 10:4; Hb 10:38).

A salvação é destinada aos predestinados — judeus (representando a Lei) e gentios (representando a Graça).

Aqueles que já existiam em Deus não podem ser apagados do Livro da Vida, pois “ninguém arrebatará das mãos do Senhor aqueles que são Suas ovelhas” (Jo 10:26–28).

Este mistério não é apenas teológico, mas existencial: somos chamados a reconhecer nossa origem espiritual e viver como filhos da luz, conscientes de que o espírito volta a Deus, que o deu (Ec 12:7).

Fonte: (Bíblia; IA Copilot)

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Toni Campos

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