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Lázaro

29-Jan-2026

By: Toni Campos

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O Quarto Dia

Betânia, pequena aldeia a apenas três quilômetros de Jerusalém, vivia dias de luto.

O costume judaico ditava que os vizinhos e parentes se reunissem na casa da família enlutada por sete dias, o chamado shivá.

As ruas estreitas estavam cheias de murmúrios, cânticos fúnebres e o som das flautas que acompanhavam o pranto.

O cheiro de óleo queimado e incenso misturava-se ao ar seco da Judeia.

O sol declinava sobre Betânia, tingindo de cobre as colinas que cercavam a aldeia.

O ar estava pesado, carregado pelo cheiro de terra seca e pelo murmúrio dos que ainda choravam a morte de Lázaro.

As casas de pedra, simples e silenciosas, pareciam guardar em suas paredes o eco das lamentações.

Marta sempre prática e resoluta, recebia os visitantes, oferecia água e pão caminhava de um lado a outro, inquieta, como se buscasse em cada gesto uma forma de aliviar a dor que lhe consumia o peito.

Maria, ao contrário, permanecia sentada junto ao chão, o rosto escondido entre as mãos, mergulhada em um silêncio que falava mais alto do que qualquer palavra envolta em pó e lágrimas, como era costume das mulheres em luto

O corpo de Lázaro repousava numa gruta escavada na rocha, envolto em faixas de linho e ungido com óleos aromáticos.

A pedra que selava o túmulo era pesada, símbolo da barreira definitiva entre os vivos e os mortos.

Lázaro estava morto havia quatro dias.

Quatro dias — tempo suficiente para que o corpo se tornasse pó e a esperança se desfizesse em resignação.

Os vizinhos vinham e iam, trazendo consolo em palavras repetidas, mas nada preenchia o vazio. A ausência de Jesus pesava como uma sombra.

Os líderes religiosos da região também observavam. Alguns vinham por respeito, outros por curiosidade.

Havia quem murmurasse que Jesus, o galileu, não aparecera a tempo.

— “Se Ele fosse realmente o enviado de Deus, teria impedido a morte”, diziam em voz baixa.

Foi então que alguém anunciou: — “O Mestre está vindo.”

Marta correu ao encontro de Jesus. O caminho era estreito, ladeado por oliveiras, e cada passo parecia carregado de urgência.

Ao vê-Lo, suas palavras explodiram em dor:

— Senhor, se estivesses aqui, meu irmão não teria morrido.

Jesus a fitou com olhos serenos, que pareciam atravessar o véu da tristeza.

— Teu irmão há de ressuscitar.

— Eu sei que ressuscitará na ressurreição do último dia — respondeu Marta, tentando se agarrar ao que aprendera.

Mas Jesus se aproximou, e Sua voz soou como um trovão suave:

— Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá.

As palavras suspenderam o tempo. Marta sentiu o coração estremecer, como se uma chama se acendesse em meio às cinzas.

Maria, ao ouvir que Jesus chegara, levantou-se. Seus passos eram lentos, mas carregados de emoção.

Ao encontrá-Lo, caiu a Seus pés, chorando:

— Senhor, se estivesses aqui, meu irmão não teria morrido.

Jesus contemplou o pranto dela e dos que a acompanhavam. Seus olhos se encheram de lágrimas.

O Mestre chorou. O povo murmurou: — “Vede como o amava.”

Mas outros questionaram:

— “Não podia Ele, que abriu os olhos do cego, ter impedido que Lázaro morresse?”

Chegaram ao túmulo. Uma gruta escura, fechada por uma pedra pesada.

O silêncio era denso, quebrado apenas pelo choro contido.

Jesus ordenou: — Tirai a pedra.

Marta hesitou, a voz trêmula:

— Senhor, já cheira mal, pois está morto há quatro dias.

Mas Jesus respondeu com firmeza:

— Não te disse que, se creres, verás a glória de Deus?

A pedra foi removida. O ar se encheu de expectativa.

Jesus ergueu os olhos ao céu e orou:

— Pai, graças Te dou porque me ouviste. Eu sabia que sempre me ouves, mas disse isto por causa da multidão que está ao redor, para que creiam que Tu me enviaste.

Então, com voz poderosa, que parecia atravessar os limites da eternidade, clamou:

— Lázaro, vem para fora!

O silêncio foi quebrado pelo som de passos. Do interior da escuridão, uma figura surgiu: Lázaro, envolto em faixas, vivo.

Quando Lázaro saiu vivo do túmulo, o espanto tomou conta de todos.

Alguns se maravilharam, outros se alarmaram. O milagre não apenas devolvera a vida a Lázaro, mas também acendera uma chama que se espalharia por toda a Judeia.

Um grito percorreu a multidão. Marta e Maria correram, lágrimas agora de alegria, abraçando o irmão.

Jesus ordenou: — Desatai-o e deixai-o ir.

O sol rompeu as nuvens, iluminando Betânia com uma luz dourada. Era como se o próprio céu celebrasse.

Aquele dia seria lembrado como o dia em que a morte foi vencida diante de todos. A notícia correu como fogo em palha seca.

Betânia, antes mergulhada em luto, agora vibrava com espanto e alegria.

Homens e mulheres que haviam testemunhado o impossível não conseguiam guardar silêncio. Cada voz repetia a mesma frase:

— “Lázaro vive!”

A ressurreição de Lázaro era não apenas um milagre, mas um prenúncio: a vitória sobre a morte que viria em breve, não em uma aldeia, mas diante de toda a humanidade.

Fonte: (Bíblia; IA Copilot)

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Toni Campos

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