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Anti-Semitismo Cristão - Parte III

17-Jun-2023

By: Clarence Wagner, Jr.

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As Cruzadas

  • Vamos agora examinar o ano de 1096 e a Primeira Cruzada. Este foi um período   de lutas para a igreja. Haviam dois Papas, um sendo um anti-Papa. Quando um   deles faleceu, o outro, Urbano II, necessitava de uma causa unificadora e lançou   uma Cruzada ou Guerra Santa contra os muçulmanos na Terra Santa, que estavam   perseguindo os cristãos e desecrando os lugares sagrados e Jerusalém.

    No verão de 1096, uma multidão indisciplinada de 200.000 camponeses e artesãos se congregou na França. Como não haviam muçulmanos por perto, eles viraram sua atenção para os judeus, que, aos seus olhos, eram tão infiéis e inimigos do cristianismo como os muçulmanos. Eles descobriram que podiam iniciar a Cruzada lá mesmo. A crueldade, como a caridade, começada em casa. Ao marcharem através da Europa à caminho da Terra Santa, eles literalmente pilharam, saquearam e estupraram. Face aos gritos selvagens dos cruzados, os judeus crucificaram nosso Salvador e eles devem voltar a Ele ou morrer. Os judeus tinham a alternativa do batismo ou da morte. Milhares preferiram a morte de mártires.

    Enquanto a Igreja não sancionava oficialmente estas atividades, elas no entanto prosseguira. Muitos padres e bispos locais protegeram os judeus e lhes deram refúgio das multidões. Infelizmente, outros participaram ativamente nas execuções.

    Para partilharmos apenas um exemplo, em Mayance (= Meinz, na Alemanha), o Arcebispo convidou 1300 judeus para se refugiarem no seu palácio. Isto provou ser um convite para uma matança. Sob sua supervisão, pois eles foram todos mortos e mesmo ele partilhou dos espólios confiscados dos cadáveres. Incidentalmente, o Imperador Henrique IV ouviu falar deste massacre, confiscou a propriedade do Arcebispo e permitiu aos judeus que foram batizados à força de retornar ao judaísmo.

    Quando os cruzados finalmente chegaram em Jerusalém, eles numeravam 600.000. Eles sitiaram a cidade e em 15 de julho de 1099 penetraram na muralha. Eles mataram os muçulmanos que estavam na cidade e levaram os judeus a uma sinagoga. Cruzados com escudos decorados com grandes cruzes colocaram vigas de madeira em redor da sinagoga e queimaram todos dentro, cantando "Cristo nós te adoramos!"

    Há alguma surpresa que para o povo judeu a cruz é um símbolo de ódio e morte, e não de amor, reconciliação e salvação? A cruz foi literalmente tomada e usada como uma espada contra o povo judeu.

    Ao todo, houveram nove Cruzadas e elas terminaram em 1291, quando os muçulmanos novamente recuperaram a posse da Terra Santa.

  • O quarto concílio lateranense

  • Em 1215, foi celebrado o Quarto Concílio Laterense. Durante este concílio se cristalizou a doutrina da Transubstanciação. Transubstanciação é a doutrina da carne e do sangue de Cristo tornados presentes na hóstia (= pão) consagrada e no vinho. Esta doutrina ainda é prevalecente na Igreja Católica. O resultado desta doutrina em síntese final se tornou numa nova fonte de anti-semitismo cristão.

    1) - Por séculos a seguir, circularam acusações de desacração de hóstias por judeus. O libelo da desecração de hóstia é que os judeus tentavam roubar uma hóstia consagrada e depois a esfaquear, tormentar e queimar numa tentativa de recrucificar Cristo. Muitas histórias ilustradas mostrando este fenômeno fabricado foram circuladas, especialmente na Alemanha, durante os séculos XIV e XV. Este ensinamento ainda não pereceu.

    Como um exemplo pessoal, no meio da década de 1970, as crianças de um amigo católico voltaram para casa da escola católica paroquial (em Boston, Massachusetts) com esta história, que deveria lhes ensinar respeito para com a hóstia da comunhão: "um rapaz católico e um rapaz judeu entraram numa igreja católica e o judeu convenceu o católico a roubar uma hóstia de comunhão. Eles a levaram para casa, entraram num armário e alfinetaram a hóstia. A hóstia começou a sangrar, encheu o armário de sangue e afogou os rapazes!" Esta é uma variação da antiga acusação do libelo de desecração da hóstia, especialmente porque o malfeitor na história é um judeu.

    2) - Um ramo do libelo da desecração da hóstia é o libelo de sangue. O libelo de sangue diz que judeus assassinam não-judeus, especialmente cristãos, para obter sangue para a Páscoa e outros rituais. Descrevia-se que os judeus precisavam beber sangue cristãos para que sua aparência continuasse sendo humana, o sangue cristão também ajudando a eliminar o distinto cheiro judaico (foetor judaicus), que era o inverso do odor de santidade possuído pelos cristãos. Qualquer um com um pouco de conhecimento das leis dietárias judias sabe que aos judeus está proibido comer sangue, mesmo se não fosse óbvio que estas acusações são completamente falsas. Infelizmente, ela demonstra completa ignorância do estilo de vida dos judeus, e a falta de relacionamento entre cristãos e judeus naquelas épocas.

    3) - Outro cânone promulgado pelo Quarto Concílio Lateranense requeria aos judeus usar uma marca distintiva. A forma desta marca variava de país a país, mas normalmente tinha a forma de um distintivo, ou um chapéu de três pontas ou pontudo. Desta maneira, você poderia ter certeza de não entrar inadvertidamente em contato com judeus. Mesmo na arte medieval os judeus são mostrados com círculo em suas roupas ou com chapéus pontudos.

    Durante este período, muitas autoridades leigas e eclesiásticas tentaram proteger a comunidade judia de perseguição. Grande parte do anti-semitismo era agora promovido por uma crescente classe média.

  • A iniquisição

O próximo evento histórico a marchar a história mundial é a infamada Inquisição. De acordo com a Lei Canônica, a inquisição não estava autorizada a interferir nos assuntos internos dos judeus, mas a procurar cristãos heréticos que tinham regredido. Entretanto, esta lei foi rescindida baseado em que a presença de judeus causava o desenvolvimento de heresia nas comunidades cristãs.

Em meados do século XV, foi iniciada a Inquisição Espanhola. Na Espanha, dezenas de milhares de judeus foram forçados a se batizar. Em função disto, eles eram considerados cristãos e se esperava que se comportassem como cristãos. Estes judeus batizados eram conhecidos como Conversos ou Cristãos Novos. Se um camundongo é pego dentro de uma jarra com biscoitos, isto não o torna um biscoito. Da mesma maneira, forçar alguém a se batizar não o torna um cristão.

Estes conversos portanto ainda praticavam muitos dos costumes judeus, como acender as velas de Sexta-feira de noite, mudar a roupa branca no Sábado, se abster de comer porco e peixes sem escamas, observar os Dias de Festa, etc. Ser pego praticando qualquer um dos 37 costumes era base para ser levado perante um tribunal da Inquisição. Os cristãos deveriam procurar por estes sinais e relatar qualquer regressão. Uma vez trazido perante o tribunal, não havia forma de escapar da punição: 1) - Se você confessar e não se arrepender, você será queimado vivo;
2) - Se você confessar e se arrepender, você será humilhado em público. Qualquer passo em falso dado depois resultará em morte certa.
3) - Se você não confessar, mesmo sendo inocente, você será torturado até confessar e depois queimado.

A igreja não podia executar as vítimas, e então os passava a um braço secular do tribunal da Inquisição. O sangue não deveria verter, e daí a fogueira. Isto era justificado por um texto em João 15:6 - "Se alguém não permanecer em mim, será lançado fora à semelhança do ramo, e secará; e o apanham, lançam no fogo e o queimam".

Incidentalmente, todas as propriedades eram confiscadas, enriquecendo o tribunal da Inquisição.
Judeus praticantes (não conversos) foram ultimamente trazidos perante os tribunais da Inquisição, como se acreditavam que eles eram judaizantes, exercendo má influência sobre os conversos. Eles também julgados e queimados.

A Inquisição na Espanha, durou de 1481 até 1820. Mais de 350.000 judeus sofreram punições.

  • A Reforma

Finalmente, um sopro de ar limpo. Os reformistas reconheceram muitos erros inerentes na igreja e desafiaram a liderança, o Papa, os bispos, os padres - todo o corpo eclesiástico. A Reforma teve repercussões importantes e complexas e mesmo contraditórias na evolução do anti-semitismo.

Um ramo do protestantismo, os Calvinistas e suas ramificações, provaram ser menos judeofóbicos do que o catolicismo até o século XX.

O outro ramo, o Luteranismo, se tornou cada vez mais anti-semita.
Uma consequência imediata da Reforma foi o agravamento da posição dos judeus nas regiões que continuaram sendo católicas romanas. Os papas estavam determinados a restaurar a ordem através da estrita aplicação da Lei Canônica. Isto naturalmente afetava de forma negativa o povo judeu. Um resultado foi que à partir de meados do século XVI, os GUETOS foram introduzidos, primeiro na Itália e depois no Império Austríaco. O gueto era na verdade o nome de uma ilha em Veneza, que tinha uma fundição abandonada. Os judeus de Veneza foram reunidos e transferidos para este local, onde poderiam ser separados e controlados. Adolph Hitler reinstituiu o gueto no Terceiro Reich pela mesma razão. G.E. Roberti, um publicista católico do século XVIII, declarou: "O Gueto judeu prova melhor a verdade da religião de Jesus Cristo do que toda uma escola de teologia".

Agora, vamos dar uma olhada no ramo Luterano da Igreja Protestante. Martin Lutero é o pai do luteranismo. Durante a primeira parte de seu ministério, de 1513 a 1523, Lutero seguidamente condenava a perseguição dos judeus e recomendava uma atitude mais tolerante com eles, baseado num espírito de verdadeira irmandade. Em 1523, ele escreveu um panfleto "Que Cristo nasceu judeu", no qual ele argumentava que os judeus, que eram da mesma estirpe como o fundador do cristianismo, tinham razão ao rejeitar o "paganismo papal" apresentado a eles como cristianismo. Ele adicionou "Se eu tivesse sido um judeu e visto estes idiotas e tolos ensinando a fé cristã, eu teria preferido me tornar um porco do que me tornar cristão".

Entretanto, quando eles não aceitaram a sua versão do cristianismo também, ele se tornou gradativamente hostil ao povo judeu. Em 1530 ele se referia ao povo judeu como "os judeus arrogantes, de coração de ferro e teimosos como o demônio", nos seus sermões. E finalmente, ocorreu. Ele imprimiu dois panfletos: em 1542, Sobre os Judeus e Suas Mentiras, e em 1543, sobre o Shem Hamephoras (Sobre o Nome Inefável). Estes dois panfletos contêm algumas das frases mais viciadas e repugnantes jamais escritas contra o povo judeu.

Quinhentos anos depois Hitler encontrou algumas de suas idéias e justificativa o tratamento do povo judeu e o Holocausto nestes escritos. No final das contas, se o patriarca da Igreja Luterana declarou estas coisas, bem portanto... (tenha certeza que vossos pecados vos descobrirão).

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