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A Cruz na Cidade
07-Out-2025
By: Toni Campos
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Uma narrativa contemporânea sobre:
amor, resistência e renascimento
Prefácio
Vivemos em tempos de velocidade, distração e algoritmos. O amor, muitas vezes, parece um gesto antiquado — um luxo para quem tem tempo.
Esta narrativa é uma releitura simbólica da crucificação de Jesus, transposta para os dias de hoje. Não busca substituir o sagrado, mas provocar o olhar.
E se o Cristo caminhasse entre nós agora? E se sua mensagem fosse ignorada não por falta de fé, mas por excesso de ruído?
Este conto é uma tentativa de escutar o silêncio entre as buzinas. De encontrar a cruz onde ninguém mais olha. E de lembrar que, mesmo hoje, o amor ainda incomoda.
O Homem e o Cartaz
São Paulo acordou cinzenta naquela sexta-feira. O céu, pesado de nuvens e pressa, parecia refletir o cansaço de uma cidade que já não escutava.
Entre buzinas, notificações e passos apressados, um homem caminhava.
Não tinha seguidores, não fazia lives, não vendia nada. Carregava apenas um cartaz escrito à mão: “Ame como se fosse o último dia.”
Chamavam-no de “O Filho”, embora poucos soubessem seu nome. Ele não pregava — perguntava: “Você está em paz?” e “O que faria se o amor fosse sua única moeda?”
Os Encontros
Na terça, falou numa universidade. Sentado no chão, sem slides nem microfone, disse: “Conhecimento sem compaixão é só vaidade.” Alguns riram. Outros o filmaram. Um professor o chamou de ingênuo. Ele sorriu.
Na quarta, visitou uma favela. Escutou mães que perderam filhos. Chorou com elas. “O Reino está onde há escuta.” Disse isso, e foi embora.
Na quinta, tentou entrar no Congresso. Foi barrado. Disse ao segurança: “Não vim pedir. Vim lembrar.” O segurança, tocado sem saber por quê, o deixou passar.
Lá dentro, foi ignorado. Um deputado o chamou de “delirante”. Outro disse: “Esse tipo de gente atrapalha o progresso.”
A Prisão e a Cruz
Na sexta, às 9h, foi preso. Acusado de incitar desobediência civil, de atrapalhar o trânsito, de “propagar ideias sem base científica”.
Na cela, não pediu advogado. Pediu silêncio. “O amor não precisa se defender. Só resistir.”
Às 14h, foi levado ao topo de um prédio abandonado. Não havia cruz de madeira, mas uma antena enferrujada. Não havia soldados, mas técnicos.
Não havia chicotes, mas protocolos. Não havia sangue, mas esquecimento.
O cartaz foi rasgado. “Ame como se fosse o último dia.” Virou lixo. Virou meme. Virou piada.
O Silêncio e o Sopro
Às 15h, o céu escureceu — não por milagre, mas por poluição. E mesmo assim, algo no ar parecia parar. O barulho da cidade ficou mais baixo.
O trânsito desacelerou. Um silêncio estranho se espalhou — como se o mundo, por um segundo, tivesse esquecido de se distrair.
Ele olhou para baixo. Viu a cidade que amava. Viu os rostos que não o reconheceram. Viu os olhos que não o viram. E disse, com voz calma: “Pai, perdoa. Eles estão distraídos.”
Não houve terremoto. Não houve rasgo no véu. Mas uma criança, em um apartamento próximo, perguntou à mãe: “Por que aquele homem está lá em cima?” E a mãe, sem saber, respondeu: “Porque às vezes, quem ama demais incomoda.”
O prédio ficou vazio. O corpo foi levado. Nenhum jornal cobriu. Nenhuma autoridade comentou. Era como se nada tivesse acontecido.
Mas algo havia mudado.
A Ressurreição Invisível
No sábado, uma mulher que vendia café ofereceu um copo grátis a um homem em situação de rua. No domingo, um jovem que nunca falava com o pai mandou uma mensagem: “Vamos conversar?”
Na segunda-feira, o cartaz rasgado apareceu colado em um poste, reconstruído com fita adesiva. “Ame como se fosse o último dia.”
Ninguém sabia quem o colou. Mas ele estava lá.
E então, começaram a surgir outros. Em estações de metrô. Em muros de escolas. Em perfis anônimos nas redes sociais. Sem assinatura. Sem crédito. Apenas a frase.
O homem que foi crucificado não voltou em carne. Mas voltou em gesto. Voltou em escolha. Voltou em cada pessoa que decidiu amar sem esperar aplausos.
A ressurreição não foi um milagre. Foi uma contaminação. Silenciosa. Irreversível.
E a cidade, aos poucos, começou a lembrar. Não do rosto. Mas da ideia.
O homem não volta em carne — volta em escolha. Volta em cada ato de amor sem aplauso.
Posfácio
A cruz, hoje, não está em colinas. Está nas esquinas. Está nos olhos que se desviam, nos corações que se fecham, nos gestos que não se fazem. Mas também está nos cafés oferecidos sem cobrança. Nos abraços sem motivo. Nos perdões sem pedido.
Este conto não termina com a morte. Termina com a contaminação do amor. Porque o amor, quando crucificado, não morre. Ele se espalha.
Fonte: (Bíblia; IA Copilot)
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Toni Campos
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