19-Out-2026
By: Toni Campos
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Entre os temas mais debatidos do cristianismo está a expulsão de demônios.
Ao longo dos Evangelhos, Jesus expulsava espíritos malignos com autoridade, sem rituais complexos, sem cerimônias demoradas e sem qualquer indicação de que precisasse jejuar antes de cada libertação. Sua palavra bastava.
Contudo, ao longo dos séculos, surgiram diferentes interpretações sobre a forma correta de proceder diante dessas situações.
Alguns defendem a necessidade de jejuns prolongados; outros sustentam que a autoridade de Cristo é suficiente.
Foi em torno dessa questão que ocorreu um inesquecível debate entre um padre e um pastor, numa fria noite de inverno, diante de uma igreja repleta de pessoas em busca de respostas.
O sino da antiga matriz acabara de tocar quando os últimos fiéis ocuparam seus lugares.
O convite para o debate havia atraído católicos, evangélicos e curiosos.
O tema era delicado: exorcismo, possessão e a maneira correta de lidar com espíritos malignos.
Sentados diante da congregação estavam o padre Augusto e o pastor Elias.
Ambos eram homens respeitados, estudiosos das Escrituras e conhecidos por sua serenidade.
Após uma breve oração, o moderador deu início ao encontro.
O padre Augusto foi o primeiro a falar.
Com voz calma, disse:
— "Desde os primeiros séculos, a Igreja tratou essa questão com extrema cautela. Nem todo comportamento estranho é possessão. Muitas vezes há enfermidades físicas, emocionais ou mentais que precisam ser tratadas com responsabilidade. Quando se confirma a ação demoníaca, a Igreja realiza o exorcismo dentro de critérios rigorosos."
Murmúrios de aprovação ecoaram pelo salão.
O pastor Elias assentiu respeitosamente.
— "Concordo plenamente com a prudência", respondeu. "Mas gostaria de destacar que, ao observarmos os Evangelhos, encontramos um padrão muito claro. Jesus nunca realizou uma entrevista extensa com os demônios, nem criou um ritual elaborado. Ele simplesmente ordenava: 'Saia dele'. E o espírito saía."
Algumas Bíblias começaram a ser abertas.
O padre sorriu.
— "É verdade. Nosso Senhor demonstrava autoridade absoluta."
O pastor continuou:
— "Vejamos o endemoninhado da sinagoga. Jesus ordenou e o espírito saiu. O mesmo ocorreu com o gadareno. O mesmo ocorreu com tantas outras pessoas. A autoridade estava em Cristo, não em técnicas humanas."
O padre cruzou as mãos.
— "Mas há quem utilize a passagem que menciona oração e jejum como requisito indispensável."
O salão ficou em silêncio.
O pastor abriu sua Bíblia.< br>
— "Muitos estudiosos apontam que a frase 'esta casta não sai senão por oração e jejum', em Mateus 17:21, possui variações textuais relevantes nos manuscritos antigos. Independentemente desse debate textual, devemos perguntar: qual foi a prática de Jesus? Ele expulsava demônios por meio de sua autoridade. Os Evangelhos mostram isso repetidamente."
O padre permaneceu pensativo.
Um jovem da plateia levantou a mão.
— "Então o jejum não serve para nada?"
O pastor respondeu com humildade:
— "Claro que serve. O jejum está presente em diversas passagens bíblicas como uma expressão de consagração, arrependimento, busca da vontade de Deus e dedicação espiritual. Jesus, como judeu, também jejuou e ensinou sobre o jejum. O problema surge quando se atribui ao jejum uma função que as Escrituras não lhe atribuem claramente, como se ele fosse uma condição indispensável para expulsar demônios ou uma fonte de poder em si mesmo."
O padre completou:
— "Exatamente. O jejum possui seu lugar na vida de fé e na tradição bíblica. Ele pode expressar dependência de Deus, arrependimento e busca espiritual sincera. Contudo, quando observamos os relatos dos Evangelhos, a autoridade para expulsar demônios não é atribuída ao jejum, mas a Cristo. O jejum não substitui essa autoridade nem aparece como requisito universal nos episódios de libertação realizados por Jesus."
A congregação permaneceu atenta.
Uma senhora tomou a palavra.
— "Então qual é o erro mais comum nesse assunto?"
O padre respondeu:
— "Transformar libertação em espetáculo."
O pastor acrescentou:
— "Ou transformar demônios em protagonistas. Nos Evangelhos, o foco nunca estava nos espíritos. O foco estava em Jesus."
O silêncio que se seguiu parecia ensinar mais do que muitas palavras.
O padre então contou uma história de seus primeiros anos de ministério.
— Havia sido chamado para orar por um homem considerado possesso. Ao chegar, encontrou uma família desesperada. Todos falavam do suposto demônio. Ninguém falava de Cristo.
— Ele passou horas ouvindo relatos sobre manifestações, gritos e fenômenos estranhos.
Finalmente perguntou:
— "Alguém aqui já leu os Evangelhos para este homem?"
— Ninguém respondeu.
— Naquele momento, percebeu algo importante: todos estavam fascinados pelo problema e poucos conheciam a solução.
O pastor Elias sorriu ao ouvir a história.
— "Isso me lembra algo. Em certa ocasião fui chamado para ajudar uma pessoa considerada endemoninhada. Havia gente debatendo nomes de demônios, hierarquias demoníacas e métodos secretos de libertação. Então perguntei: 'Quantos aqui já leram o Sermão do Monte inteiro?' Quase ninguém levantou a mão."
Risadas discretas percorreram o templo.
— "Às vezes", continuou o pastor, "sabemos demais sobre trevas e de menos sobre a luz."
Dessa vez, até o padre riu.
As horas avançaram.
O debate deixou de ser um confronto e tornou-se uma busca conjunta pela verdade.
Ao final, o moderador fez a pergunta decisiva:
— "Se alguém chegasse hoje até vocês afirmando estar sob influência demoníaca, qual seria o procedimento correto?"
O padre respondeu primeiro:
— "Discernimento, responsabilidade e oração. Avaliar cuidadosamente a situação e evitar conclusões precipitadas."
O pastor completou:
— "E apontar a pessoa para Cristo. Porque a vitória não está em fórmulas, em objetos, em performances religiosas nem em méritos humanos. Está naquele que declarou possuir toda autoridade no céu e na terra."
Os dois homens se levantaram.
Por um instante, todos perceberam que, apesar das diferenças denominacionais, ambos concordavam no essencial.
Nenhum deles exaltava o poder das trevas.
Nenhum deles glorificava métodos humanos.
Nenhum deles atribuía ao jejum um poder mágico.
Ambos apontavam para o mesmo centro.
Jesus.
E naquele momento, a velha igreja pareceu mais iluminada do que quando as luzes haviam sido acesas.
Ao observar os Evangelhos, percebe-se que Jesus expulsava demônios por sua autoridade divina. Sua palavra era suficiente.
O foco das Escrituras não está em rituais complexos, objetos especiais ou fórmulas de poder, mas na supremacia de Cristo sobre todas as forças espirituais.
O jejum e a oração ocupam lugar importante na tradição bíblica como práticas de consagração, arrependimento, dependência de Deus e fortalecimento da vida espiritual.
Entretanto, os Evangelhos não apresentam o jejum como a fonte da autoridade sobre os demônios.
Nos relatos de libertação, a ênfase recai continuamente sobre a autoridade de Cristo e sobre a fé naquele que tem domínio sobre todas as forças espirituais.
A maneira correta de proceder diante de situações atribuídas à ação demoníaca é agir com discernimento, responsabilidade, equilíbrio e confiança em Cristo, evitando tanto o ceticismo absoluto quanto o sensacionalismo religioso.
Nos Evangelhos, a atenção sempre retorna ao mesmo ponto: não à força dos demônios, mas à autoridade daquele diante de quem até os espíritos malignos se submetem.
Jesus permanece sendo o centro, a resposta e a vitória.
Fonte: (Biblia; IA Copilot)
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Toni Campos