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Joao
11-Nov-2025
By: Toni Campos
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O Verbo na Margem
Prefácio
Há palavras que não envelhecem. Elas atravessam gerações, resistem à pressa e sobrevivem ao ruído.
João, o evangelista, escreveu sobre o Verbo — não como conceito, mas como presença. E se ele vivesse hoje, em uma cidade onde tudo é dito e pouco é escutado, como soaria sua voz?
Este conto é uma tentativa de reencontrar o Verbo nas margens da metrópole. Não como doutrina, mas como poesia encarnada.
O Homem do Viaduto
João se chamava Jonas, mas atendia por João. Era poeta de rua. Vendia versos em folhas sulfite por dois reais no Viaduto do Chá.
Tinha barba rala, olhos fundos e uma voz que parecia sempre à beira do silêncio.
Morava em uma pensão na República, onde dividia o quarto com livros, cadernos e uma gata chamada Graça. Não tinha redes sociais. Dizia que o mundo já se comunicava demais e escutava de menos.
Em uma de suas folhas, escreveu: "No princípio era o verbo. E o verbo se perdeu entre notificações."
O Encontro
Certa tarde, uma mulher parou diante de sua banca improvisada. Leu um dos versos e chorou.
— Você escreveu isso pra mim? — perguntou. João sorriu.
— Escrevi pra quem escuta.
Ela se chamava Clara, era professora de filosofia e colecionava silêncios. Começaram a conversar. Sobre Platão, sobre o Evangelho, sobre o que resta quando tudo falta. Clara dizia que João escrevia como quem rezava. Ele dizia que ela lia como quem ama.
Passaram a se encontrar aos domingos, no mesmo viaduto. Não havia romance. Havia revelação.
O Evangelho Segundo a Cidade
João começou a escrever um livro. Não sabia se era poesia, crônica ou oração. Chamou de O Verbo na Margem.
Falava sobre o menino que dormia sob o Minhocão e sonhava com planetas. Sobre a mulher que vendia café e sabia mais sobre esperança do que qualquer teólogo.
"O verbo não está nos templos. Está nos olhos de quem não desvia o olhar."
Clara o incentivou a publicar. Ele hesitou. Mas aceitou. O livro foi lançado em uma biblioteca comunitária na Zona Leste. Não teve pompa. Teve escuta.
A Palavra Que Permanece
João passou a ser convidado para eventos literários.
Recusava quase todos. Preferia os encontros espontâneos, os saraus de calçada, os cafés com desconhecidos.
Um dia, foi abordado por um jovem que dizia estar perdido. João não deu conselhos. Apenas entregou uma folha com um verso:
"A luz brilha na escuridão. E a escuridão não a venceu."
O jovem chorou. E João, como sempre, escutou.
Posfácio
João ainda caminha pela cidade. Às vezes é visto em praças, às vezes em ônibus, sempre com uma folha de papel na mão.
Dizem que escreve o que o mundo esqueceu. Que escuta o que ninguém mais ouve.
Seus versos aparecem em postes, em muros, em bilhetes deixados em bancos de praça. Sempre com a mesma assinatura:
“João, o que escuta o Verbo.”
Talvez o evangelho nunca tenha sido sobre religião. Talvez sempre tenha sido sobre presença.
E talvez, no fim, o Verbo ainda habite entre nós — esperando que alguém o escute.
Fonte: (Bíblia; IA Copilot)
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Toni Campos
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