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Lucas

11-Nov-2025

By: Toni Campos

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Entre Luzes e Concreto

Prefácio

As cidades são organismos vivos. Respiram, gritam, se calam. E dentro delas, milhões de histórias se cruzam sem se tocar.

Este conto é sobre uma dessas histórias — a de Lucas, um homem comum em uma metrópole que não perdoa distrações. Mas também é sobre o extraordinário que se esconde no cotidiano, sobre o silêncio que grita, e sobre o momento em que tudo muda, mesmo que nada pareça diferente.

O Homem Invisível

Lucas acordava todos os dias às 5h45. Não por disciplina, mas por hábito.

Trabalhava como operador de caixa em uma farmácia 24h na Rua Augusta. Seu uniforme azul-marinho já não tinha cor, e seus olhos também não.

Era invisível para os clientes apressados, para os entregadores, para os colegas. Até para si mesmo.

Vivia em um quarto alugado no centro, onde o som dos carros era mais constante que o silêncio. Tinha um celular antigo, um caderno de capa vermelha e uma planta que insistia em viver.

À noite, escrevia. Não poemas, não crônicas. Apenas frases soltas, como: "Hoje uma senhora me olhou nos olhos." "O cheiro de álcool em gel é mais forte que o perfume das pessoas."

A Cidade Que Não Dorme

Certa madrugada, um homem entrou na farmácia. Não comprou nada. Apenas ficou parado, olhando para Lucas. Tinha um olhar calmo, como quem vê além da superfície.

— Você escreve? — perguntou. Lucas hesitou.

— Escrevo o que vejo.

— E o que você vê?

— Gente que não se vê.

O homem sorriu e saiu. Mas deixou um envelope sobre o balcão.

Dentro, havia um convite: “Encontro de Escritores Urbanos — Sábado, 19h — Rua do Ouvidor, 128.”

Lucas não sabia se era uma piada. Mas foi.

Vozes no Subsolo

O lugar era um porão adaptado. Havia cadeiras de plástico, café frio e vozes que falavam sobre dor, beleza, trânsito, saudade.

Lucas ouviu mais do que falou. Mas quando leu uma de suas frases, o silêncio foi absoluto.

"Hoje uma senhora me olhou nos olhos."

Alguém chorou. Outro aplaudiu. E Lucas, pela primeira vez, sentiu que existia.

O Homem Que Escuta

Lucas começou a escrever com mais frequência. Criou um perfil anônimo no Instagram: @olhosurbanos.

Postava frases curtas, fotos borradas da cidade, áudios de buzinas e passos. Ganhou seguidores. Mas nunca revelou quem era.

Na farmácia, continuava invisível. Mas agora, escutava com atenção.

Cada cliente era uma história. Cada gesto, uma pista. Começou a escrever sobre eles. Não nomes, mas essências.

"O homem que compra remédio para dormir e sorri como quem acordou." "A mulher que pede álcool em gel e segura a mão do filho com ternura."

O Chamado

Um dia, recebeu uma mensagem: “Você quer publicar?”

Era uma editora independente. Gostava do perfil. Queria transformar os textos em livro. Lucas hesitou. Não queria fama. Queria escuta.

Mas aceitou. O livro se chamou Olhos Urbanos. Foi lançado em uma livraria pequena, com fila na calçada.

Lucas não apareceu. Ficou na farmácia, atendendo clientes, escrevendo frases.

Posfácio

Lucas nunca deixou de ser invisível. Mas aprendeu que a invisibilidade pode ser escolha, não condenação.

Seus textos continuam surgindo em postes, em panfletos, em muros. Ninguém sabe quem é. Mas todos sentem que alguém os vê.

E talvez, no fim, seja isso que importa: ser visto. Mesmo que em silêncio.

Fonte: (Bíblia; IA Copilot)

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Toni Campos

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