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AUTORIDADE

17-Jun-2023

By: Bridges for Peace

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"O rei meu senhor! Por que dás ouvidos as palavras dos homens que dizem: Davi procura fazer-te mal? Este dia os teus olhos viram que o Senhor te pôs em minhas mãos nesta caverna. Alguns disseram que eu te matasse, porém a minha mão te poupou; eu disse: não estenderei a mão contra o meu senhor, porque é o ungido do Senhor. Olha, meu pai, vê aqui a orla do teu manto na minha mão! Eu cortei a orla do teu manto, mas não te matei. Considera e vê que não há na minha mão nem mal nem rebeldia alguma, e que não pequei contra ti, ainda que andes a caça da minha vida, para me tirares..." (I Sm 24:8-11).

Todo mundo, inclusive Saul, sabia que Davi tinha sido ungido por Samuel para que fosse o próximo rei. Por isso, Saul temia Davi. Em En-Gedi, Davi tinha literalmente tomado a autoridade de Saul e neste ponto, ele também poderia Ter tomado o trono de Saul. Mas, ele não fez. Ao invés disso, deixou que Deus escolhesse o tempo certo para que ele recebesse o trono. Este ato convenceu a Saul de que Davi estava falando a verdade.

O ato de Davi de devolver a autoridade de Saul também reconciliou os dois homens. Saul disse:

"O Senhor te pague com bem, pelo que hoje me fizeste. Eu sei que certamente hás de reinar, e que o reino de Israel há de ser firma nas tuas mãos" (I Sm 24:19b-20).

Um outro exemplo de autoridade representado nas franjas pode ser encontrado numa passagem do livro de Rute, que pode ser difícil de entender. No capítulo três, Rute foi a Boaz para receber sua bênção que lhe ajudaria sair de uma situação difícil. Ela foi à eira e dormiu aos seus pés, e versos 8-9 nos dizem:

"No meio da noite o homem acordou de repente, voltou-se e viu uma mulher deitada a seus pés. Perguntou ele: "Quem és tu?" Disse ela: "Sou Rute, tua serva. Estende a tua capa sobre a tua serva, porque tu és o remidor".

Imediatamente ele entendeu e disse a ela: "E agora, minha filha, não temas. Tudo o que pedires eu te farei. Toda a cidade do meu povo sabe que és mulher virtuosa" (v. 11). Ele preparou tudo para ajudá-la, e eventualmente casou-se com ela.

O que Rute fez quando pediu a Boaz para estender sua capa sobre ela foi a sua maneira simbólica de lhe dizer que estava se colocando debaixo de sua autoridade.

Vamos voltar para a história do povo da Galiléia, querendo tocar na orla das vestes de Yeshua. O povo não era curado simplesmente por encostar contra Yeshua (Jesus) numa multidão. Eles foram curados quando sua fé tocou a "orla" ou franjas de Suas vestes, o que representava sua autoridade (Mc 5:31). A fé deles e o poder de Yeshua (Jesus) curaram suas enfermidades.

  • Humildade


    No período do segundo tempo (70 A.C. - 135 D.C.), as franjas se tornaram um símbolo de "status". Quanto mais rico alguém era, mais grandiosa a franja aparentava. Durante o tempo de Yeshua, as franjas de alguns dos fariseus eram tão longas e elaboradas, que elas se arrastavam no chão. Foi esta demonstração ostensiva de orgulho que Yeshua estava repreendendo, quando disse:

    "Tudo o que fazem é a fim de serem vistos pelos homens. Alongam as franjas das suas vestes" (Mt 23:5).
    (Por falar nos fariseus, é importante reconhecer que nem todos os fariseus eram hipócritas. Nicodemos era um fariseu (João 3:1). Eles eram os líderes religiosos conservadores de seu tempo. De fato, deles, Yeshua disse:

    "(Eles) estão assentados na cadeira de Moisés. Portanto observai e fazei tudo o que vos disserem. Mas não procedais de conformidade com as suas obras, pois dizem e não fazem" (Mt 23:2-3).

    Assim como em nosso tempo, alguns líderes religiosos eram bons e temiam a Deus; outros eram manipuladores. Por causa das referências sobre alguns que eram hipócritas, hoje muitos cristãos pensam erroneamente que todos os fariseus eram hipócritas. Teologicamente Yeshua estava mais próximo dos fariseus do que dos saduceus).

    A lição para todos nós desta passagem é que é mais importante cumprir os mandamentos por uma convicção interior em humildade, do que simplesmente vesti-lo pelo lado de fora, com práticas religiosas excessivas. Deus olha para o coração, enquanto o homem muitas vezes olha para o que está diante dos olhos (I Sm 16:7).


  • Aplicações

    Considerando estas histórias bíblicas, qual é a mensagem para nós?

    Em primeiro lugar, entendemos melhor agora algumas passagens da Escritura que nos pareciam obscuras simplesmente porque não entendíamos e nem conhecíamos o contexto no hebraico como o símbolo dos "cantos" ou "orla" de suas vestes.

    Em segundo lugar, nas histórias do Novo Testamento, podemos ver que uma fé ativa libera o poder milagroso de Deus.

    Nas situações difíceis na vida, Deus nos pede para demonstrar nossa fé de formas diferentes. Na Bíblia podemos constatar exemplos que podem nos parecer como estranhos pedidos de Deus ao Seu povo como prova de fé. Porém, quando obedecidos geraram milagres.

    Porém não há fórmulas. Certamente, quando pensamos que há uma fórmula, falhará. Deus é Deus, e não será reduzido a uma fórmula. Ele fará Seus milagres, e demonstrará Seu poder em nossas vidas de várias formas. Deus quer que tenhamos fé n'Ele e não em métodos.

    Em terceiro lugar, a autoridade de Deus é suprema e está embaixo das Suas vestes onde devemos buscar habitação. No livro de Apocalipse, está escrito que quando o Messias vier, "no manto, sobre a sua coxa tem escrito o nome: Rei dos reis e Senhor dos senhores" (Ap 19:16). Será que a referência à "sua coxa" é uma referência às franjas que se estendem até as coxas e fala de sua autoridade? Quem poderia Ter mais autoridade do que o Rei dos reis e o Senhor dos senhores?

    Em quarto lugar, há muitas coisas que Deus nos pede como demonstração de nossa fé. Na lei de Moisés, o povo judeu foi instruído para vestir franjas, colocar Sua palavra sobre o portal de suas casas, para afastar-se de certas comidas, para celebrar certas festas comemorativas, etc. Os cristãos também devem viver suas vidas de uma maneira que reflita o Deus que servimos. Assim como os fariseus tinham um problema com o comprimento das suas franjas, nós também podemos "exibir" nosso cristianismo de formas externas que alimentem o orgulho humano e nos distraiam da importância de andar com humildade com nosso Deus.

    (Artigo extraído do Bridges for Peace (Pontes para a Paz))

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