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A Política de Jesus

26-Out-2026

By: Toni Campos

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Naquela tarde abafada de outubro, a praça em frente à escola estava tomada pelo rumor das eleições que se aproximavam.

Os jovens se espalhavam pelos bancos de cimento, alguns com celulares nas mãos, outros gesticulando com a energia própria de quem acredita poder mudar o mundo.

Entre eles, uma discussão ganhava força: em quem votar?

Pedro defendia um candidato que prometia crescimento econômico.

Júlia preferia outro, que falava em programas sociais.

Marcos admirava um terceiro, conhecido pelos discursos firmes sobre segurança pública.

Cada um procurava argumentos para provar que sua escolha era a mais correta e, pouco a pouco, o debate deixou de ser apenas político.

— Se Jesus estivesse aqui, tenho certeza de que votaria no meu candidato — afirmou Pedro.

] — Não votaria, não — rebateu Júlia.

— Jesus estaria do lado dos pobres, então escolheria o meu.

— Vocês estão enganados — interrompeu Marcos.

— Jesus valorizava a ordem. Ele apoiaria alguém forte para governar.

As vozes começaram a se sobrepor.

Cada frase era seguida de uma citação isolada, uma interpretação conveniente, um trecho arrancado do contexto para servir como bandeira.

Aos poucos, Cristo deixava de ser referência e passava a ser troféu.

Cada jovem tentava colocá-lo ao lado do candidato que já havia escolhido.

Sentado um pouco distante, observando a conversa, estava o professor Henrique.

Não era homem de interromper discussões, mas percebeu que algo importante estava escapando aos seus alunos.

Aproximou-se devagar e perguntou:

— Vocês realmente acreditam que Jesus cabe dentro de uma campanha eleitoral?

O grupo silenciou por um instante.

— Claro que sim — respondeu Pedro.

— Os valores dele precisam estar representados.

— Concordo — disse o professor.

— Mas o problema começa quando acreditamos que um candidato representa Jesus por inteiro.

Os jovens se entreolharam.

— Pensem comigo. Jesus caminhou com os pobres, mas também falou com ricos.

Defendeu a justiça, mas pregou o perdão. Enfrentou autoridades, mas ensinou respeito. Denunciou injustiças, porém recusou a violência.

— Qual partido moderno consegue reunir tudo isso sem contradições?

Ninguém respondeu.

— O Reino de Deus, anunciado por Jesus, não foi apresentado como um projeto eleitoral — continuou o professor.

— Era uma transformação do coração humano que depois alcançava a sociedade.

Por isso, quando tentamos encaixá-lo completamente em uma ideologia, acabamos diminuindo sua mensagem.

A conversa mudou de tom.

Os jovens começaram a perceber que estavam menos preocupados com os ensinamentos de Cristo e mais interessados em utilizá-los como argumento para vencer uma discussão.

O sol já se escondia atrás dos prédios quando decidiram caminhar juntos até o ponto de ônibus.

As diferenças políticas permaneciam.

Cada um continuava inclinado a votar em candidatos distintos. No entanto, algo havia mudado dentro deles.

Entenderam que votar era um ato de consciência, responsabilidade e reflexão.

Poderiam avaliar propostas, caráter, resultados e valores. Mas associar plenamente qualquer líder humano a Cristo era uma tarefa impossível.

Enquanto se despediam, Júlia resumiu o que todos começavam a compreender:

— Talvez a pergunta não seja qual candidato se parece mais com Jesus. Talvez a pergunta seja se nossas escolhas nos aproximam dos valores que ele ensinou. Os outros assentiram em silêncio.

E naquela noite, pela primeira vez, deixaram de procurar Jesus nos palanques para buscá-lo naquilo que nenhuma eleição pode garantir por decreto: a prática do amor, da justiça, da verdade, da humildade e da misericórdia.

Porque os governantes passam, os partidos mudam e as promessas envelhecem; mas o chamado de Cristo continua atravessando os séculos, convidando cada pessoa a transformar o mundo começando pela transformação de si mesma.

Fonte: (Biblia; IA Copilot)

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Toni Campos

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