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Tehom Rabbah
02-Julho-2026
By: Toni Campos
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O Dilúvio
Na biblioteca silenciosa da universidade, entre manuscritos hebraicos e tábuas de argila babilônicas, Elias, jovem estudante de arqueologia hebraica, folheava o livro de Gênesis.
Ao seu lado, o professor Rav Shalem, homem de barba grisalha e olhar penetrante, observava com paciência.
— Mestre, — disse Elias, apontando para o texto em hebraico — aqui está escrito “Tehom Rabbah”. O grande abismo. No relato do Dilúvio, não foi apenas chuva que caiu, mas as fontes do abismo que se romperam. O que isso significa?
Rav Shalem sorriu, como quem já percorreu muitas vezes aquele caminho de perguntas.
— Elias, o Dilúvio não foi apenas uma tempestade prolongada. Foi o retorno do mundo ao caos primordial. Lembra-se de Gênesis 1? Deus separa as águas superiores das inferiores, impondo ordem ao caos. No Dilúvio, Ele desfaz essa separação. O Tehom Rabbah se abre, e o mundo volta ao estado de desordem, como se a criação fosse desfeita.
Elias franziu o cenho.
— Então, o Dilúvio foi mais que punição. Foi uma espécie de “des-criação”?
— Exatamente, — respondeu o mestre.
— A motivação de Deus não foi apenas castigar a violência humana. Foi mostrar que, sem justiça e retidão, a criação não se sustenta. O cosmos depende da ordem moral tanto quanto da ordem física. Quando o homem corrompe a terra, o próprio tecido da criação se rasga.
O estudante ficou em silêncio, absorvendo a ideia.
As palavras ecoavam como trovões: não foi só chuva, foi o abismo que se abriu. O céu e a terra se uniram em águas, e o mundo retornou ao ventre do caos.
— Então, — disse Elias, com voz baixa — o Dilúvio é a lembrança de que o universo pode colapsar se o homem esquecer sua responsabilidade. Não é apenas história, é advertência.
Rav Shalem pousou a mão sobre o ombro do aluno.
— E também esperança. Pois, após o caos, Deus recriou. O arco-íris não é apenas sinal de paz, mas de que a ordem pode ser restaurada.
O Tehom Rabbah pode ser fechado novamente, se o homem aprender a viver em harmonia.
Elias fechou o livro devagar.
Pela primeira vez, compreendeu que o Dilúvio não era apenas sobre águas que caíram, mas sobre o abismo que se abriu — e sobre a promessa de que, mesmo diante do caos, Deus pode recriar.
Fonte: (Biblia; IA Copilot)
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Toni Campos
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