24-Ago-2026
By: Toni Campos
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Dizem que Maria Madalena foi a primeira a ver o Cristo ressuscitado, aquela que ousou permanecer quando muitos fugiram. Sua figura atravessou séculos como símbolo de coragem e redenção.
Hoje, em meio às ruas barulhentas e às telas luminosas, uma nova Madalena caminha — não a mesma, mas alguém que carrega em si o eco daquela mulher bíblica que não se deixou definir pelo passado.
O barulho dos carros misturava-se ao som das notificações no celular.
Madalena caminhava rápido, tentando ignorar os olhares que a seguiam.
— “Ei, não é aquela menina que saiu em todos os posts semana passada?”
— “É sim. Dizem que ela aprontou feio…”
Madalena apertou o passo e entrou no pequeno centro comunitário da esquina, onde o pastor Elias a esperava.
— “Você veio. Achei que não teria coragem.”
— “Coragem? Elias, eu não sei se é isso ou se é só desespero. Eu não aguento mais ser julgada.”
— “O julgamento dos outros não define quem você é. O que você faz daqui pra frente é o que importa.”
Algumas crianças brincavam ao fundo. Uma delas se aproximou, segurando um livro gasto.
— “Moça, você pode ler pra gente?”
— “Eu?” — Madalena sorriu sem jeito.
— “Sim, você tem voz bonita.”
Ela se sentou no chão, abriu o livro e começou a ler.
As crianças se reuniram em volta, rindo e repetindo as palavras.
Elias observava em silêncio.
— “Viu só?” — disse ele quando terminou.
— “Você tem mais poder do que imagina. Não é sobre o passado, é sobre o que você decide fazer agora.”
— “E se eu cair de novo?”
— “Então levanta. Foi isso que você fez hoje. Entrou aqui, enfrentou os olhares, e escolheu ficar.”
Dias depois, Madalena caminhava pelas ruas. Alguns ainda a olhavam com desconfiança, mas outros sorriam.
— “Você é a moça que ajuda no centro, não é?”
— “Sou sim.”
— “Continue. Precisamos de gente como você.”
— “Talvez eu esteja pronta para começar de novo.”
— “Não talvez. Você já começou.”
Entre julgamentos virtuais e olhares reais, ela descobriu que sua história não era definida pelos erros, mas pela escolha de levantar-se.
Assim como a Maria Madalena bíblica, lembrada não pelo passado, mas pela coragem de permanecer e testemunhar, a Madalena das ruas modernas tornou-se símbolo de que a redenção ainda é possível...
— Ontem, Hoje e Sempre —